Festival de Busan destaca retorno de Lee Yun Chan
O Festival de Busan selecionou To Be Ordinary, retorno de Lee Yun Chan aos longas após duas décadas. O filme usa conflitos familiares e detalhes cotidianos para criar identificação.

Festival de Busan recebe o retorno da diretora taiwanesa Lee Yun Chan aos longas-metragens com To Be Ordinary, único filme de Taiwan na competição do evento. Após cerca de duas décadas longe do formato, a cineasta apresenta um drama familiar situado em Taipei, centrado no impacto de um acidente e nas relações que se reorganizam a partir dele.
Resumo rápido:
- To Be Ordinary é o único representante de Taiwan na competição do Festival Internacional de Cinema de Busan.
- Lee Yun Chan volta aos longas após estrear com The Shoe Fairy, em 2005, e dirigir recentemente a série Women in Taipei.
- O roteiro explora uma família em crise, reconexões afetivas e a rotina urbana de Taipei.
- Para marketing, o caso reforça como detalhes específicos e conflitos reconhecíveis fortalecem narrativas de marca.
O filme taiwanês na competição
O enredo acompanha Yu Jie, universitário e designer de sites que sofre um acidente de moto após sair de um trabalho de meio período. O motorista idoso envolvido assume uma postura extrema de reparação: transfere sua casa ao jovem e passa a cobrir seus custos médicos e de sobrevivência.
A partir daí, o filme desloca a atenção do acidente para suas consequências. A família de Yu Jie, já pressionada por dificuldades financeiras e emocionais, volta a se aproximar em refeições compartilhadas. Ao mesmo tempo, ele desenvolve uma relação com Yi-han, sua fisioterapeuta. A felicidade construída nesse período, porém, é frágil.
O título em mandarim tem sentido literal próximo de “uma pessoa útil”, um jogo de significado que também aparece no relato da diretora sobre retornar à realização de um longa e levar seu elenco a Busan. Em vez de transformar o projeto em uma história de superação simplificada, a proposta parece concentrada nas ambiguidades de culpa, cuidado, dependência e convivência.
O retorno de Lee Yun Chan
Lee Yun Chan dirigiu seu primeiro longa, The Shoe Fairy, em 2005. Mais recentemente, trabalhou na série Women in Taipei, disponível no Disney+. To Be Ordinary marca sua retomada do cinema de longa duração depois de aproximadamente 20 anos.
A ideia da história começou a ganhar forma há cerca de uma década, quando a diretora criava sua família. As filmagens aconteceram em 42 dias, após um período de preparação com o elenco. Para construir a intimidade entre os personagens, os atores que interpretam os familiares fizeram atividades como compras de mercado, cozinhar juntos e uma caminhada com cadeira de rodas.
Esse tipo de preparação revela uma escolha importante: a emoção não depende apenas de grandes diálogos ou reviravoltas. Ela pode surgir da familiaridade corporal entre as pessoas, de pequenos gestos e da sensação de que os personagens possuem uma história antes mesmo da primeira cena.
Festival de Busan e a força do cotidiano
O Festival de Busan é uma vitrine relevante para o cinema asiático e para obras que buscam circulação internacional. Ser o único título taiwanês em competição amplia a atenção sobre To Be Ordinary, ainda que o filme não tenha sido desenhado para uma audiência de massa, segundo seus representantes de produção e vendas internacionais.
A diretora ambienta a trama em sons e hábitos reconhecíveis de Taipei, como a música dos caminhões de lixo e o deslocamento diário pelo metrô. Essa escolha é útil para quem trabalha com comunicação: quanto mais concreta é uma cena, maior pode ser sua capacidade de gerar identificação. O público não se conecta necessariamente a uma ideia ampla de “família”; ele se conecta à mesa posta, ao silêncio depois de uma discussão, à rotina interrompida por uma notícia difícil.
O elenco também preparou o papel de Yu Jie observando a vida a partir de uma cadeira de rodas. Junior Hsieh, intérprete do personagem, ajustou sua linha de visão no dia a dia para compreender essa experiência. Weber Yang vive o pai, desempregado há três anos, enquanto Chang Shih Ying interpreta a mãe. Os relatos dos atores apontam temas que ultrapassam a geografia do filme: dificuldade de comunicação entre casais, insegurança sobre o futuro e pressão das expectativas sociais.
As informações sobre o projeto, a seleção e o percurso previsto após Busan foram divulgadas pela Variety. Depois da estreia mundial no festival sul-coreano, o longa deve passar pelos festivais de Tóquio e do Cavalo de Ouro, antes de chegar aos cinemas de Taiwan em 13 de novembro.
Por que histórias locais circulam
Há uma armadilha recorrente na produção de conteúdo: acreditar que, para alcançar mais pessoas, é preciso apagar particularidades. To Be Ordinary segue na direção contrária. A obra parte de uma família taiwanesa, de códigos urbanos próprios e de uma situação delimitada, mas toca em tensões que públicos de outros lugares reconhecem.
Para marcas, essa lógica tem aplicação direta. Uma empresa não precisa tentar falar com “todo mundo” em cada publicação. É mais eficiente definir uma situação real de audiência, identificar o atrito envolvido e desenvolver uma mensagem com ponto de vista. Uma loja local, por exemplo, pode mostrar as dúvidas reais de compra de seu bairro ou cidade, em vez de repetir frases genéricas sobre qualidade e atendimento.
O mesmo vale para vídeos. O poder de uma campanha não está em parecer cinematográfica por si só, mas em organizar imagem, som, personagens e ritmo a favor de uma ideia. Referências de linguagem, enquadramento e construção de cenas podem ser vistas no portfólio da Ampside, especialmente por empresas que querem transformar o cotidiano de sua operação em comunicação mais clara e memorável.
O que isso muda para o seu marketing
Empresas, agências e criadores brasileiros podem extrair três aprendizados práticos do caminho de To Be Ordinary. O primeiro é testar histórias de baixa escala e alta verdade. Em vez de inventar um personagem genérico, use dúvidas frequentes de clientes, bastidores do atendimento, mudanças na rotina de uma equipe ou decisões reais que fazem parte da operação.
O segundo é copiar o método, não a estética. A preparação do elenco antes das filmagens ajuda a entender que boas cenas nascem de contexto. Antes de gravar um depoimento, vídeo institucional ou campanha, defina quem fala, para quem fala, qual conflito existe e o que a audiência deve compreender ao final. Roteiro não é um enfeite: é a estrutura que impede o conteúdo de virar uma sequência de imagens sem direção.
O terceiro é evitar dois excessos. Não dramatize situações comuns apenas para buscar engajamento e não use emoção sem relação com o produto, serviço ou posicionamento da marca. A narrativa funciona quando existe coerência entre o que é contado e o que a empresa entrega. Se o tema é próximo da vida do cliente, trate-o com precisão, respeito e exemplos observáveis.
- Teste: uma série curta com histórias reais de clientes, colaboradores ou bastidores, sempre com autorização e objetivo definido.
- Copie: o uso de detalhes sensoriais e cenas específicas para situar a audiência rapidamente.
- Evite: roteiros cheios de promessas vagas, personagens estereotipados e emoção que não leva a uma mensagem de marca clara.
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O retorno de Lee Yun Chan mostra que uma narrativa bem observada continua relevante mesmo quando nasce de uma realidade muito específica. Sua empresa também tem histórias, processos e pessoas que podem virar conteúdo útil, desde que recebam estratégia, roteiro e execução adequados.
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Perguntas frequentes
O que é To Be Ordinary?
É um drama taiwanês dirigido por Lee Yun Chan sobre um jovem que sofre um acidente e sobre as mudanças provocadas na vida de sua família.
Por que o filme se destaca no Festival de Busan?
Ele é o único filme de Taiwan selecionado para a competição do Festival Internacional de Cinema de Busan em sua edição de 2026.
Qual é a principal lição para o marketing?
Histórias específicas, baseadas em situações reconhecíveis e contadas com coerência, tendem a criar mais conexão do que mensagens genéricas.
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