Campanha Visit Oslo transforma inverno em musical irônico
A nova campanha Visit Oslo retoma Halfdan, morador que reclama da cidade, em um musical de inverno. O case mostra como consistência e mudança de formato sustentam uma boa ideia.

Campanha Visit Oslo voltou a usar seu morador mais mal-humorado para divulgar a capital norueguesa, desta vez em um musical ambientado no inverno. A continuação mantém a lógica de falar mal da cidade para revelar seus atrativos, mas troca a simples narração pelo canto, pela neve, pelo Natal e por situações absurdas que reforçam o humor da peça.
Resumo rápido:
- Visit Oslo lançou uma continuação da campanha que promove a cidade por meio de reclamações.
- O personagem Halfdan retorna em um filme musical de cerca de três minutos voltado à temporada de inverno.
- A marca preserva um ativo criativo reconhecível, mas altera o formato para evitar uma repetição automática.
- Para empresas brasileiras, o case reforça o valor de personagens, humor coerente e desdobramentos de campanha.
O retorno de Halfdan no inverno
Em 2024, a entidade de turismo Visit Oslo apresentou Halfdan, um residente que parecia disposto a desmotivar qualquer pessoa a conhecer a cidade. Ele tratava qualidades objetivas como defeitos: museus sem filas, restaurantes sem longas esperas, ruas caminháveis e a escala compacta da capital da Noruega.
A proposta era uma antipropaganda. Em vez de recorrer ao discurso turístico tradicional, com cenas perfeitas e promessas genéricas, a campanha construía contraste. Quanto mais o personagem reclamava, mais o público entendia que Oslo tinha atributos desejáveis para quem visita o destino.
Agora, Halfdan está de volta em It’s Totally Even a City, campanha criada pela NewsLab para impulsionar Oslo como destino de inverno. No novo filme, ele canta sobre sua insatisfação enquanto a cidade exibe pessoas esquiando para trabalhar, crianças usando áreas de trenó, saunas perto do fiorde, programação cultural, restaurantes e luzes natalinas.
Segundo o B9, a ideia original acumulou mais de 25 milhões de visualizações orgânicas em diferentes plataformas e recebeu um Leão de Prata em Film no Cannes Lions no ano seguinte. Esse histórico explica por que a volta do personagem faz sentido estratégico: ele deixou de ser apenas uma peça e passou a funcionar como um ativo de comunicação reconhecível.
Por que a antipropaganda funciona
A antipropaganda não é o mesmo que falar mal de um produto sem critério. Ela depende de uma inversão bem calculada: a crítica precisa apontar, por contraste, para uma vantagem que o público valoriza. Se a audiência não entender essa camada, a mensagem pode gerar rejeição em vez de curiosidade.
No caso de Oslo, a chave está na personalidade de Halfdan. Ele não fala como um porta-voz institucional nem tenta convencer alguém de forma direta. Seu mau humor dá unidade ao texto e permite que as qualidades da cidade apareçam sem o peso de uma lista promocional.
O recurso também ajuda uma categoria acostumada a imagens semelhantes. Cidades turísticas costumam disputar atenção com paisagens, gastronomia, cultura e experiências ao ar livre. Tudo isso é relevante, mas pode ficar intercambiável na publicidade. Ao adotar um ponto de vista contrário, Visit Oslo encontra uma forma própria de mostrar elementos que outros destinos também poderiam reivindicar.
O humor, porém, não substitui a proposta de valor. Ele abre a porta para que o público conheça a oferta: uma cidade de inverno com mobilidade, lazer, cultura e experiências urbanas. A peça é memorável porque a graça serve ao posicionamento, e não porque foi adicionada depois à campanha.
Uma sequência que muda de formato
Sequências são um desafio frequente para marcas. Quando uma primeira campanha tem alcance e reconhecimento, abandonar tudo pode desperdiçar o investimento criativo. Repetir cada detalhe, por outro lado, pode dar a impressão de que a marca está apenas reciclando uma piada.
A campanha Visit Oslo encontra um meio-termo. O personagem, o tom negativo-irônico e a cidade como contraponto continuam presentes. O que muda é a execução: o novo filme é um musical, com outra cadência, novas cenas e foco específico no inverno. A mudança não apaga a memória do primeiro trabalho; ela a atualiza.
Esse princípio vale para conteúdos recorrentes, séries de vídeos, campanhas sazonais e perfis de redes sociais. Uma marca não precisa reinventar sua identidade em toda publicação. Precisa identificar o que é estrutural — voz, personagens, tensão narrativa, linguagem visual ou promessa — e variar os elementos que mantêm a atenção.
Para quem trabalha com audiovisual, o case também mostra que formato é parte da mensagem. A música amplia o exagero emocional do personagem e combina com a atmosfera festiva do período. Não seria necessário produzir um musical para replicar a lógica; o aprendizado está em escolher uma linguagem que dê nova função à mesma ideia. Para conhecer projetos que exploram estratégia e execução visual, acesse o portfólio da Ampside.
O inverno deixa de ser um obstáculo
A nova peça foi desenhada para um período tradicionalmente mais difícil para o turismo local. Esse contexto importa porque a campanha não tenta esconder a neve, o frio ou a escuridão típica da estação. Ela transforma a sazonalidade em cenário e motivo para explorar experiências que só fazem sentido naquele momento.
Essa é uma escolha útil para qualquer negócio com picos e vales de demanda. Em vez de comunicar apenas quando a procura já é alta, a marca pode construir motivos específicos para o consumidor olhar para a baixa temporada. Não se trata de maquiar limitações, mas de encontrar ofertas, usos e histórias compatíveis com aquele período.
No Brasil, empresas de turismo, gastronomia, varejo, educação e serviços podem adaptar esse raciocínio. Uma pousada pode explorar experiências de dias frios; um restaurante pode criar uma narrativa em torno de pratos de estação; uma marca B2B pode usar períodos de planejamento anual para oferecer conteúdo e diagnósticos. A pergunta não é apenas “como vender mais no mês fraco?”, mas “o que este momento permite contar que outros meses não permitem?”
O que isso muda para o seu marketing
Para empresas, agências e criadores brasileiros, a principal lição é tratar uma ideia criativa bem-sucedida como plataforma, não como peça isolada. Antes de criar uma nova campanha do zero, avalie se há um elemento da comunicação que o público já reconhece e que pode ganhar outro contexto.
O que testar
- Personagens recorrentes: crie uma voz ou figura que represente um ponto de vista específico da marca e possa aparecer em vídeos curtos, anúncios e conteúdos sazonais.
- Contrastes honestos: transforme uma característica real do produto em argumento, desde que a inversão seja clara para o público.
- Variação de formato: leve uma mesma premissa para entrevista, sketch, bastidores, animação, depoimento ou vídeo musical quando houver coerência.
- Campanhas de baixa demanda: planeje conteúdos e ofertas próprios para os períodos em que seu mercado costuma perder atenção.
O que copiar com cuidado
Copie a disciplina estratégica, não a superfície. Um personagem irritado, por si só, não torna uma campanha interessante. O recurso funcionou porque Halfdan está ligado a uma verdade sobre Oslo: a cidade oferece conveniência e experiências que o discurso dele tenta tratar como problema.
O que evitar
- Usar ironia para esconder uma falha real de produto, atendimento ou entrega.
- Forçar humor sem relação com o posicionamento da marca.
- Estender uma campanha apenas porque a primeira teve visualizações.
- Presumir que viralização substitui clareza sobre o que está sendo vendido.
Também é importante adaptar o tom ao público brasileiro e ao setor. Marcas com temas sensíveis, público mais técnico ou histórico de comunicação formal podem trabalhar personagens e contraste de modo mais sutil. A consistência precisa estar a serviço da confiança, não apenas da repercussão.
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Como a Ampside pode te ajudar
A campanha de Oslo mostra que consistência criativa pode tornar uma marca mais reconhecível sem deixá-la previsível. Na Ampside, transformamos posicionamento, histórias de marca e oportunidades sazonais em campanhas com linguagem adequada para cada canal, da ideia inicial à produção e distribuição.
Somos uma agência de publicidade completa em Uberlândia (MG), atuando desde 2009 e com mais de 100 empresas atendidas. Nosso time pode apoiar sua marca com estratégia, design, gestão de redes sociais, filmes publicitários, gravação e edição de vídeos, tráfego pago e produção de conteúdo com IA. Para conversar sobre uma campanha que tenha identidade e continuidade, conheça os serviços da Ampside e siga @ampside no Instagram.
Perguntas frequentes
O que é a campanha Visit Oslo?
É uma campanha turística da entidade Visit Oslo que promove a capital norueguesa usando humor e um personagem que reclama das qualidades da cidade.
Por que a continuação usa um musical?
O formato musical renova a campanha, reforça o humor de Halfdan e ajuda a ambientar a comunicação na temporada de inverno.
Como aplicar antipropaganda em uma marca brasileira?
Use uma inversão baseada em uma qualidade real do produto ou serviço. A ironia deve ser fácil de entender e nunca encobrir problemas que a marca precisa resolver.
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